A popularidade de Jair Bolsonaro não sofreu impacto entre os baianos nas últimas duas semanas, mesmo com o agravamento da pandemia do novo coronavírus e a escalada na crise política causada pelo inquérito que investiga as denúncias do ex-ministro Sérgio Moro sobre interferência do presidente na Polícia Federal.

Dados da pesquisa A TARDE/DataPoder360, realizada entre os dias 11 e 13 de maio, apontam que o percentual da população baiana que considera o governo ruim ou péssimo continua em 42%, o mesmo aferido na rodada anterior, feita entre 27 e 29 de abril. Ótimo e bom registrou oscilação positiva de dois pontos percentuais, saindo de 29% para 31%. Considerando o recorte Brasil, o resultado foi o mesmo. Ruim e péssimo variou de 40% para 39%; ótimo e bom, de 29% para 30%. Na Bahia, os que avaliam o mandato como regular saíram de 19% para 22%; não sabem ou não responderam, de 10% para 5%. No cenário nacional, regular oscilou de 26% para 27%; não sabem ou não responderam, de 5% para 4%.

Enquanto a avaliação negativa do presidente se manteve estável estadual e nacionalmente, ela registrou queda em Salvador. Na pesquisa passada, ruim e péssimo somavam 59%. Agora, o percentual caiu para 54%. Ótimo e bom cresceram de 20% para 24%. Já aqueles que consideravam o governo regular decresceram de 19% para 15%.

O estudo mostra uma certa resiliência do apoio ao presidente, apesar do contínuo processo de deterioração da situação política de Bolsonaro. A semana foi marcada pela entrega ao Supremo Tribunal Federal (STF) do vídeo de uma reunião ministerial ocorrida em 22 de abril, na qual o presidente teria falado em interferir na Polícia Federal para proteger sua família.

O novo levantamento mostra que o presidente continua com cotação em baixa entre a parcela mais rica do eleitorado baiano, que majoritariamente apoiou a eleição dele em 2018. No estrato da população com mais de 10 salários mínimos, 50% consideram o governo ruim ou péssimo. Entre os que recebem de 5 a 10 salários, esse percentual alcança 67%.

O desempenho dele também é o pior no grupo daqueles com ensino superior: 66% acham a gestão ruim ou péssima. Bolsonaro é melhor avaliado entre homens (35% de ótimo e bom), desempregados ou sem renda fixa (34% de ótimo e bom) e pessoas sem escolaridade (46%).

Moro

O levantamento também mediu o que a população baiana acha das denúncias feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal. Em relação à última pesquisa, cresceu o número de pessoas que acham que este não é motivo para impeachment do presidente; a corrente se tornou maioria.

O grupo daqueles que acreditam que a interferência não deve motivar o afastamento subiu de 38% para 46%.

Quem achava que o presidente deveria sofrer impeachment teve oscilação negativa de 38% para 36%.

Para o professor e cientista político Cláudio André Souza, a estabilidade de Bolsonaro tem relação com o fato de que o desenrolar da crise Moro x Bolsonaro não se mostrou grave o bastante para alterar a avaliação do presidente. “A manutenção mostra que as investigações por interferência política na Polícia Federal não impactaram a percepção dos entrevistados pela pesquisa”, avalia.

O professor ainda apontou para uma certa resiliência e organização da base bolsonarista, ao comentar a avaliação da população sobre as denúncias de Moro. “A base de apoio de Bolsonaro aponta para uma fidelidade mesmo diante dos fatos, o que envolve a disputa de narrativas do governo com comunicação segmentada para este público, como contraponto à imprensa”, diz.

Há divergências sobre militares

A população baiana e brasileira está dividida sobre a participação de militares no governo e a realização de atos contra a democracia.

Para 35% dos baianos ouvidos pela pesquisa A TARDE/DataPoder360, manifestações que pedem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) devem ser proibidas, enquanto 29% acham que não. O percentual de quem não soube responder é o maior: 36%.

Já os soteropolitanos mostram reprovação maior a protestos com este teor: 39% acham que eles devem ser proibidos, 24% acreditam que não e 37% não sabem.

Quando questionados sobre a participação de militares na administração, 35% dos baianos responderam que ela é boa para o Brasil, 34% acham que é ruim, enquanto 9% acreditam que isso não afeta o país.

No Brasil, há empate entre aqueles que veem este fator como positivo e os que avaliam como negativo: o percentual é de 37%, cada.

Regiões

De acordo com a pesquisa, habitantes da região Norte, pessoas com renda entre 5 e 10 salários mínimos e que avaliam o governo mais positivamente são mais favoráveis aos militares. Já os mais jovens (16-24 anos) e pessoas que não frequentaram a escola tendem a ser mais resistentes a isso.

Protestos

A proibição de atos contra as instituições democráticas tem mais apoio entre baianos com ensino superior (62%) e renda entre 5 e 10 salários mínimos (67%). Do lado oposto, figuram pessoas sem escolaridade (53%) e gente com renda acima de dez salários (42%).

Apesar da perda de apoio de Bolsonaro nos estratos mais ricos da sociedade, a presença de militares no governo tem alto apoio neste grupo. São 46% das pessoas com renda acima de 10 salários mínimos que acreditam que ela é benéfica ao país. O grupo que mais chancela esta participação é o dos que ganham entre 2 e 5 salários mínimos: 55%. Quem mais rechaça esta presença são pessoas com ensino superior (47%), entre 5 e 10 salários mínimos (43%), idosos (42%) e mulheres (39%).